terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Ela

Ela era , agora , alguém sem o mínimo de confiança.

Entregue aos vícios da carne e da alma, ninguém mais lhe dava crédito.
Vozes sussurravam Você está ultrapassada! Seu talento chegou ao prazo de validade! Pegue seu anonimato de volta e suma daqui! Queremos sangue novo para os olhos do público!


Mas ninguém rouba a essência de uma criatura que tem a arte no sangue e na vida.

Nunca conheceu o pai. A mãe entregou-a para uma bondosa alma na primeira oportunidade. Uma alma de atriz, que logo ensinou a filha do coração a arte de atuar e se sensibilizar com a arte. E ela aprendeu , era bem daqueles tipos de pupilos que se saem melhores que os mestres.

Logo fez fama , respeito e admiração. Com ele , inveja , ódio e obsessão.
Disseram-lhe um dia que estava velha demais para atuar. Velha não , que haviam muitas meninas com os mesmos anos que ela , também na flor da idade.
Velha não.
ULTRAPASSADA.
DÉMODÉ.

30 anos. 20 de arte [e viriam muito mais , ela assegurava com firmeza].
DESACREDITADA.

Apenas uma pessoa nunca a abandonou. E ela nunca percebera...
O homem que nunca havia saído do seu lado desde que a conheceu.
O homem de sua vida.


Acendem-se as luzes. Vive-se a vida.

Abra os olhos.

VIVA.




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